sexta-feira, 23 de abril de 2010

O contador de Historias - l'illusion conteur

  Ele não tinha nome. Ele não tinha endereço. Ele vivia em todos os lugares, e sempre tinha algo para recordar, mesmo não tendo muito a dizer de si mesmo. Pessoas viam seu rosto retratado em muros, mas poucos o reconheciam. Algumas pessoas liam suas frases com indiferença nas bordas de propagandas comuns. Ele usava roupas comuns, alguns o comparavam com a simplicidade, outros como uma sombra da sociedade. Mas, se a sociedade não esta disposta a prestar atenção na própria atração, quem diria de uma ilusão que poucos podem ver? Ele nem se preocupava, sabia que sua imagem não valeria muito para as pessoas, mas ele se esforçava em fazer com que mesmo que ele o adormecesse tivesse deixado uma herança maior do que aquela que as pessoas esperavam dele. O andarilho tinha média estatura, e não tinha um peso elevado. Olhos castanhos, e uma pele alva. Ninguém saberia ao certo a sua idade, nem mesmo ele dizia. Vivia nos bancos das praças, nos corredores de espera dos hospitais, escutando calorosas discuções de pessoas que andavam pelas ruas, ou mesmo em silêncio diante de enormes construções. Quem foi o andarilho das cidades? Ninguém poderia dizer ninguém havia ousado procurar, ele foi singelo o suficiente de esconder suas historias dentro do coração de cada pessoa que teve a sorte de escutar suas palavras, e mais sortudas as pessoas que tiveram o privilegio de apenas fazer o que ele mais fazia ficar em silencio escutando suas historias. Sementes soltas no terreno virgem de sua consciência, transformando pontos finais em vírgulas, e mortes em sonhos. E como ele fizera, Suzam havia transformado o final em um começo, e da morte uma nova descoberta.

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